De acordo com especialistas da RSBR, tremores de baixa magnitude ocorrem quase todas as semanas em diferentes regiões do Brasil e, em muitos casos, passam despercebidos pela população.
No registro recente, não houve relatos de moradores que tenham sentido o tremor, nem registros de danos na região.
Na época, moradores relataram um barulho semelhante ao de um trovão, seguido de vibrações que fizeram portas, janelas e o chão tremerem.
Outro evento que chamou atenção ocorreu em agosto de 2019, quando um tremor de magnitude 3,1 foi registrado em Ipueiras. O abalo também foi sentido em cidades vizinhas, como Santa Rosa do Tocantins e Silvanópolis. Segundo relatos, a sensação foi semelhante à passagem de um caminhão pesado.
O tremor foi registrado na madrugada desta quinta-feira (21) — Foto: Divulgação/Rede Sismográfica Brasileira
Entenda os riscos e a percepção do tremor
Embora assustem, tremores com magnitude abaixo de 4,0 dificilmente causam rachaduras ou estragos em casas, mesmo nas mais simples. Bruno Collaço explica que a população começa a sentir os abalos a partir da magnitude 2,5, percebendo vibrações, barulhos ou objetos se movendo. No entanto, a força do tremor não é suficiente para derrubar prédios.
“Contudo, os sismos são fenômenos impossíveis de prever e não dá para dizer se as magnitudes podem aumentar. Por isso, contamos também com a contribuição da população, que pode reportar tremores sentidos por meio da nossa plataforma, o que ajuda no monitoramento”, afirma Bruno Collaço.
Segundo o especialista, o Tocantins está localizado no centro de uma placa tectônica (o bloco de rocha que forma o continente), o que garante mais segurança do que em países como Japão ou Chile, que ficam nas bordas dessas placas. No centro, os tremores costumam ser mais raros e mais fracos.
Mesmo assim, o risco não é zero. “Em 1955, o Brasil registrou um tremor de magnitude 6,2. O fato mostra que abalos mais fortes podem acontecer no país, mesmo longe das bordas das placas tectônicas”, informa o sismólogo.
Engenharia e normas brasileiras
A engenharia civil praticada no Brasil é considerada resistente aos níveis de sismos registrados habitualmente no Tocantins. O estado encontra-se em uma zona de perigo baixo a moderado, conforme as diretrizes da norma ABNT NBR 15421, que regulamenta projetos de estruturas resistentes a sismos.
“O maior problema são as habitações populares e construções informais, que não foram projetadas com essas exigências em mente. Em um cenário de um eventual sismo de maior magnitude, essas construções ficariam vulneráveis, como já ocorreu antes no Ceará, em Minas Gerais e no Rio Grande do Norte”, conclui o especialista.


