
O trânsito de Araguaína ficou mais letal. Relatório divulgado na última sexta-feira (27/02) pela Agência de Segurança Transporte e Trânsito de Araguaína (ASTT), com dados do Programa Vida no Trânsito (PVT), aponta aumento de 37% nas mortes entre 2024 e 2025, acendendo alerta para a gravidade dos sinistros no município.
Em 2024, foram registradas 35 mortes no trânsito. Já em 2025, o número subiu para 48 — 13 vidas perdidas a mais em um intervalo de um ano. O avanço da letalidade ocorre mesmo diante da redução de 13,98% no total de ocorrências, que caiu de 2.324 para 1.999 registros. O dado revela um cenário preocupante: menos acidentes, porém mais fatais.
O levantamento é realizado pelo Comitê de Coleta de Dados do PVT, que reúne instituições como polícias, órgãos periciais e secretarias de saúde para integrar informações e mapear as ocorrências fatais em uma área delimitada por um raio de 74 quilômetros no entorno de Araguaína. A análise detalhada permite identificar fatores de risco, perfil das vítimas e pontos críticos da cidade, subsidiando ações estratégicas de prevenção.
“Nosso trabalho é analisar cada caso, identificando fatores de risco e realizando uma análise epidemiológica do perfil das colisões e das vítimas. A área de Araguaína é delimitada por uma circunferência de 74 km, por isso os números e o mapa de registro dos sinistros ajudam a direcionar nossas ações e planejar o monitoramento de áreas específicas da cidade para reduzir o número de sinistros de trânsito”, explica a presidente do Comitê Gestor do PVT de Araguaína, Diva Furtado.
Grupo de risco
Os dados revelam concentração de mortes nos meses de dezembro e janeiro, principalmente no perímetro urbano da BR-153, período de férias escolares e aumento do fluxo de veículos.
Os motociclistas lideram as estatísticas de óbitos, com 21 mortes no ano passado — 41,7% do total. A maioria das vítimas era do sexo masculino (34 casos) e estava na faixa etária entre 18 e 25 anos (16 registros), evidenciando maior vulnerabilidade entre jovens condutores.
Apesar da queda no número geral de ocorrências, a elevação das mortes reforça a preocupação com a gravidade das colisões.
“Este resultado aponta uma diminuição expressiva nos registros, evidenciando um avanço progressivo e os impactos positivos das ações desenvolvidas. Mas ainda precisamos nos preocupar com a letalidade das colisões”, reforça Diva Furtado.
Ações estratégicas
Diante do aumento das mortes, o município intensificou as medidas de fiscalização e educação. Somente no ano passado, foram realizadas quase mil ações voltadas à redução de sinistros, incluindo aferição de radares, operações em áreas sensíveis e atividades educativas em escolas.
Em 2025, mais de 7.300 motoristas foram autuados por infrações de trânsito. Cerca de 300 veículos foram removidos por irregularidades como estacionamento proibido, condução sem habilitação ou com CNH suspensa ou cassada.
O conjunto de dados expõe um desafio crescente: conter a escalada da letalidade no trânsito e proteger, sobretudo, os grupos mais vulneráveis.




