
Conflitos jihadistas deixaram mais de 37,5 mil mortos entre 2011 e 2021. Segundo a USCIRF (Comissão dos Estados Unidos para a Liberdade Religiosa Internacional), os grupos muçulmanos Boko Haram, ISWAP (Estado Islâmico da África Ocidental) e facções associadas estão entre os mais letais do mundo, atuando principalmente no norte da Nigéria e na bacia do lago Chade. Uma investigação de dez anos do Tribunal Penal Internacional encontrou base razoável para acreditar que esses grupos cometeram crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Ataques recentes deixaram milhares de mortos e reforçam alerta internacional. Segundo relatório da ACN (Ajuda à Igreja em Necessidade, na sigla em inglês), duas chacinas ocorridas em 29 de maio e 23 de junho de 2023 mataram pelo menos 1,1 mil cristãos, incluindo 20 pastores e sacerdotes, em ataques coordenados por milicianos fulani e grupos terroristas no estado do Plateau. Em junho de 2025, a organização documentou outro massacre, que deixou cerca de 200 mortos em um campo de refugiados no estado de Benue, episódio que levou o papa Leão 14 a pedir orações e proteção internacional aos cristãos nigerianos.Assassinatos acontecem com alta taxa de impunidade. A USCIRF afirma que o governo frequentemente demora a reagir e falha em responsabilizar os agressores.Mais de 16,2 milhões de cristãos foram deslocados na África Subsaariana nos últimos anos. O Portas Abertas relata que a maioria está na Nigéria, vivendo em campos improvisados após fugirem de ataques.Homens cristãos seriam assassinados de forma seletiva para enfraquecer as comunidades, dizem ativistas. Já as mulheres e meninas seriam sequestradas, abusadas sexualmente, escravizadas ou forçadas ao casamento e conversão.Cristãos vivem sob leis islâmicas e enfrentam discriminação institucionalizada, alegam grupos. No norte da Nigéria, onde a sharia (lei islâmica) vigora em 12 estados, fiéis cristãos estariam sendo tratados como cidadãos de segunda classe, sofrendo discriminação em escolas, empregos e no acesso à terra. Nessas regiões, leis de blasfêmia ainda permitem a prisão ou até a pena de morte de cristãos, muçulmanos dissidentes e outras minorias acusadas de “ofensa religiosa”.




