
Sete em cada dez brasileiros são contra a transferência dos serviços hoje prestados pelos cartórios para órgãos públicos ou empresas privadas. A rejeição está associada ao medo de aumento de burocracia, insegurança jurídica, corrupção e custos mais altos. A pesquisa foi realizada pelo Datafolha entre os dias 20 e 27 de outubro de 2025, com 800 entrevistados que haviam acabado de utilizar serviços cartoriais nas capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte e Brasília. O trabalho foi encomendado pela Anoreg (Associação de Notários e Registradores do Brasil). Quando questionados sobre a hipótese de os serviços passarem a ser prestados por prefeituras ou outros órgãos públicos, 85% afirmam que haveria mais burocracia, 81% dizem que o acesso ficaria mais difícil e 79% apontam risco maior de corrupção. Além disso, 89% avaliam que a mudança poderia levar ao fechamento ou à redução de cartórios em algumas cidades. No cenário de substituição por empresas privadas, 76% dos entrevistados afirmam que haveria aumento dos custos para o cidadão. Também nesse caso, 86% dizem acreditar que a mudança resultaria no fechamento ou redução de unidades em municípios menores. A rejeição à mudança está associada à percepção positiva do modelo atual. Para os entrevistados, o sistema baseado em profissionais formados em Direito, aprovados em concurso público e fiscalizados pelo Poder Judiciário oferece mais segurança jurídica e previsibilidade, especialmente fora dos grandes centros, onde o cartório é frequentemente o único ponto de acesso a documentos civis essenciais. O levantamento também aponta apoio à ampliação das atribuições dos cartórios. Para 72% dos entrevistados, o cidadão seria melhor atendido se outros serviços fossem prestados nesses locais, como emissão de documento único de identidade, registro de empresas, requerimentos previdenciários e emissão de passaportes. “Atender o cidadão com eficiência, previsibilidade e segurança é o que explica esse resultado”, afirma Rogério Portugal Bacellar, presidente da Anoreg. Segundo ele, procedimentos como inventários, divórcios, reconhecimentos de paternidade e mudanças de nome passaram a ser realizados de forma mais rápida nos cartórios após mudanças legais. O Datafolha também mediu a confiança nas instituições. Os cartórios aparecem como os mais bem avaliados entre 15 serviços e instituições pesquisados, com nota média de 8,2, em uma escala de zero a dez. A média geral das instituições ficou em 6,4. Mais da metade dos entrevistados (53%) atribuiu notas 9 ou 10 ao grau de confiança nos cartórios —o maior índice desde o início da série histórica, em 2009. Segundo a pesquisa, a melhora da avaliação acompanha avanços percebidos na infraestrutura e na digitalização. Para 77% dos entrevistados, houve melhoria na informatização dos cartórios, e 69% dizem notar avanço na oferta de serviços online. Hoje, 80% afirmam saber que é possível realizar serviços pela internet, e 60% dos que têm esse conhecimento já utilizaram ao menos um serviço digital. com DIEGO ALEJANDRO, KARINA MATIAS e VICTÓRIA CÓCOLO LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.



