
O presidente Lula reuniu alguns dos principais ministros de sua equipe na terça (4), no barco em que está hospedado em Belém (PA), para discutir, entre outras coisas, a situação do Rio de Janeiro e as reações possíveis do governo na área de segurança. O tema passou à prioridade máxima no governo depois da Operação Contenção, que deixou 121 mortos no Rio de Janeiro e passou a ser explorada por governadores de oposição contra o presidente. Na reunião, em que estavam Rui Costa (Casa Civil), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) e Ricardo Lewandowski (Justiça), o ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, apresentou a proposta de um conjunto de ações e conceitos que poderiam reposicionar o governo federal no tema. A ideia foi batizada inicialmente de “Aliança Contra o Crime pela Paz”, de acordo com relatos de pessoas que estavam no encontro.Com problemas de conexão, Sidônio dispensou computadores e projeções e abriu sobre a mesa um fluxograma desenhado em papel para expor as ideias. Num mapa mental, que ministros comparam com um power point, ele colocou no centro a aliança, e em torno dela traços ligando o principal a ações concretas, como apreensão de drogas, a construção de centros integrados de segurança e investigações que asfixiem financeiramente as organizações criminosas. A coordenação ficaria com a Casa Civil, comandada hoje pelo ministro Rui Costa (PT-BA).No debate entre os ministros, questionou-se com quem seria feita aliança para o combate organizado ao crime, já que governadores que fazem oposição a Lula dificilmente se juntariam a ela. Lula, de acordo com dois ministros que estavam na reunião, não bateu o martelo sobre a ideia nem disse se considerava que ela tem alguma pertinência. Ele apenas ouviu a avaliação de Sidônio, e também as ponderações de outros ministros. Qualquer decisão, afirma um deles, será tomada pelo presidente apenas depois do fim da COP30. Sidônio mostrou também ao presidente e aos colegas pesquisas de diversos institutos que mostraram o apoio da maioria da população à Operação Contenção, que deixou 121 mortos no Rio de Janeiro, inclusive policiais. Lula definiu a ação da polícia como “matança”. De acordo com um ministro, o governo não vai endossar o discurso de “bandido bom é bandido morto” adotado por setores da direita. “Não é porque a população está adorando que vamos apoiar matar todo mundo”, diz um dos integrantes da equipe do petista. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.




