

Previsão é de disputa concorridíssima pelo quociente eleitoral, com ex-governadores Sandoval Cardoso, forte em Colinas e região Norte, e Mauro Carlesse em Gurupi, onde adversários calculam se ele alcançará mais de 10 mil votos mesmo sem o apoio da prefeita Josi Nunes (UB), que projeta a filha, Luana Nunes, como pré-candidata a deputada federal. A disputa deste ano promete mudar o cenário do Tocantins na Câmara dos deputados, onde, pelo menos, quatro nomes não devem concorrer as eleições; sendo eles Carlos Gaguim (UB) que busca uma vaga ao senado, Toinho Andrade que recuou e irá disputar como deputado Estadual, Alexandre Guimarães (MDB) que busca também uma vaga ao Senado e o Vicentinho Júnior (PSDB) que pleiteará o cargo de Governador do Tocantins.
Por Wesley Silas
Às vésperas da abertura da janela partidária, os bastidores da eleição para deputado federal no Tocantins já funcionam na base da calculadora. Lideranças políticas, articuladores e pré-candidatos avaliam não apenas quem são os potenciais concorrentes dentro de cada partido, mas, sobretudo, o alcance de votos necessário para ultrapassar o quociente eleitoral e garantir espaço na Câmara dos Deputados.
No Sul do Estado, a cidade de Gurupi concentra parte importante dessa disputa. De um lado, o grupo da prefeita Josi Nunes (UB) trabalha o nome da filha, Luana Nunes, como pré-candidata a deputada federal, o que reorganiza alianças locais e regionais. Do outro, o ex-governador Mauro Carlesse, pré-candidato pelo PSD, é alvo de intensos cálculos entre adversários e aliados de partido: a grande dúvida nos bastidores é se ele conseguirá superar a marca de 10 mil votos nominais apenas em Gurupi, especialmente sem o apoio direto da prefeita. No mesmo campo partidário, o PSD, presidido pelo vice-governador Laurez Moreira, ainda conta com o ex-deputado Iratã Abreu como outro nome em construção para a disputa federal. No empresariado, o pré-candidato Cristiano Pisoni (PSDB) tenta se apresentar como opção de representação para a região Sul.
No Norte, a movimentação gira em torno do ex-governador Sandoval Cardoso, que atua a partir de Colinas do Tocantins como principal base eleitoral. No último fim de semana, Sandoval recebeu o apoio de oito vereadores do município, fato que repercutiu entre dirigentes partidários e reforçou a leitura de que ele entra na corrida com peso político próprio e capacidade de irradiar votos para municípios vizinhos.
Em Palmas, a capital, um dos nomes em destaque é o da deputada estadual Janad Valcari (PL). Após chegar ao segundo turno nas eleições municipais de 2024 e obter 46,97% dos votos (69,7 mil votos) contra Eduardo Siqueira Campos, Janad tenta converter o capital eleitoral acumulado na disputa municipal em projeção para a Câmara Federal, o que a coloca entre os principais quadros da oposição no campo conservador.
No grupo do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), a tendência é concentrar esforços em pelo menos dois nomes com forte inserção temática e regional. O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Barbosa, surge como referência na área de Segurança Pública, enquanto o secretário de Educação, Fábio Vaz – ex-prefeito de Palmeirópolis e com trajetória marcada pela atuação na área educacional – se fortalece como alternativa com base no interior e na agenda de políticas públicas.
O peso do quociente eleitoral na estratégia dos partidos
A definição das nominatas para deputado federal passa, necessariamente, pelo cálculo do quociente eleitoral, regra central do sistema proporcional brasileiro. Com base na eleição de 2022, o Tocantins registrou 830.371 votos válidos para deputado federal. Dividindo esse total pelas 8 vagas em disputa, chega-se a um quociente eleitoral aproximado:
– Total de votos válidos (2022): 830.371
– Número de vagas: 8
– Quociente eleitoral (QE): 830.371 ÷ 8 ≈ 103.796 votos
Em termos práticos, isso significa que, tomando esses números como referência, um partido ou federação precisa reunir mais de 103,8 mil votos válidos (somando votos de legenda e votos nominais) para conquistar uma cadeira na Câmara. Com o dobro desse montante, em tese, teria potencial para disputar duas vagas, e assim por diante, sempre considerando o quociente partidário e a distribuição das sobras.
Desde 2022, entretanto, a regra ficou mais rigorosa para o desempenho individual dos candidatos. Além de o partido atingir o quociente eleitoral, cada nome eleito precisa alcançar, no mínimo, 10% do QE em votos nominais. Mantida a base de cálculo exemplificativa, cada deputado federal precisaria ter algo em torno de:
– 10% de 103.796 ≈ 10.380 votos nominais
Esse patamar mínimo explica por que, nos bastidores, se discute tanto se determinados pré-candidatos – como Mauro Carlesse em Gurupi ou lideranças regionais em Colinas, Palmas e demais polos – têm fôlego para ultrapassar a casa dos 10 mil votos em suas principais bases.
É importante ressaltar que o quociente eleitoral não é fixo: varia a cada eleição, conforme o total de votos válidos e o número de cadeiras em disputa. Maior participação do eleitorado, variação nos votos brancos e nulos e mudanças de comportamento do voto podem alterar significativamente o volume de votos necessário para que partidos e candidatos assegurem representação.
Tomando o cenário de 2022 apenas como referência, é possível projetar aproximadamente:
– Para eleger 1 deputado: cerca de 103,8 mil votos
– Para eleger 2 deputados: cerca de 207,6 mil votos
– Para eleger 3 deputados: cerca de 311,4 mil votos
Com a abertura da janela partidária e a reacomodação de lideranças em busca de legendas mais competitivas, a disputa tende a ser marcada por intensas negociações internas, cálculo de risco e disputa por espaço nas chapas proporcionais. É nesse ambiente que nomes como Sandoval Cardoso, Mauro Carlesse, Janad Valcari, coronel Barbosa e Fábio Vaz entram no centro das conversas, enquanto partidos e federações ajustam suas estratégias para ultrapassar o quociente eleitoral e transformar capital político em mandato na Câmara dos Deputados pelo Tocantins.



