
O cineasta iraniano Jafar Panahi afirmou que a repressão às manifestações no Irã tem sido dirigida contra uma população “indefesa” e defendeu apoio da comunidade internacional para pôr fim ao atual regime teocrático. Os protestos começaram há cerca de duas semanas, motivados inicialmente pelo aumento do custo de vida, mas evoluíram para um movimento amplo contra o regime instaurado após a Revolução Islâmica de 1979. A repressão já teria causado ao menos 3.000 mil mortes, de acordo com dados citados por funcionário do Ministério da Saúde iraniano. O cineasta afirmou que o atual ciclo de protestos é resultado de uma sequência de revoltas anteriores, como as de 2009, 2019 e 2022, e que o país chegou a um “ponto culminante”. “É hora de colocar um fim nisso”, disse à rádio France Inter. “Parece que o regime está num beco sem saída, e os protestos deste ano parecem ser os mais importantes de todos os que aconteceram até agora”, disse ele ao TheWrap na segunda-feira. No domingo, enquanto se dirigia ao Globo de Ouro, onde “Foi Apenas um Acidente” foi indicado a quatro prêmios, incluindo melhor filme de drama, ele viu vídeos sobre a resposta do governo às manifestações em massa. Na ocasião, cerca de 500 pessoas haviam morrido. “Todos estão preocupados com seus compatriotas iranianos, seus amigos, familiares, colegas, qualquer pessoa que seja presa e temida como morta.” Para Panahi, o uso de “armas de guerra” contra civis indica que o regime enfrenta uma crise de legitimidade e age para garantir sua própria sobrevivência. Vencedor da Palma de Ouro em Cannes no ano passado e possível concorrente ao Oscar de melhor filme estrageiro com o filme “Foi Apenas Um Acidente”, Panahi também alertou que o silêncio internacional diante da repressão poderá ser cobrado no futuro. “Qualquer silêncio hoje, em qualquer parte do mundo, um dia terá que responder perante a história”, afirmou. Panahi, que tem uma sentença de prisão à sua espera no Irã, disse que retornará para o seu país natal após a campanha pelos Estados Unidos. O diretor foi condenado em dezembro a um ano de prisão por “atividades de propaganda” contra o Irã e uma proibição de viajar para o país por dois anos. No entanto, essa não seria sua primeira prisão. Seu filme premiado foi inspirado pelo tempo que Panahi passou na cadeia por propaganda antigovernamental.




