
O Governo do Tocantins começou o ano de 2026 com déficit de R$ 288,47 milhões em caixa livre, segundo dados do Relatório de Gestão Fiscal (RGF) enviados ao Tesouro Nacional e divulgados em levantamento do jornal Estadão. O número coloca o Estado entre os sete entes da federação — seis estados e o Distrito Federal — que iniciaram o ano sem recursos suficientes para pagar dívidas antigas e assumir novas despesas.
O saldo negativo considera apenas a disponibilidade de caixa não vinculada — ou seja, o dinheiro que não está carimbado por lei para áreas como saúde e educação e que, na prática, representa a margem real de manobra do governo.
A Secretaria de Fazenda do Tocantins (Sefaz) informou, nesta sexta-feira (20), que o déficit é resultado da antecipação dos salários dos servidores e encargos da folha de pagamento com vencimento no mês seguinte. “Assim, o resultado apresentado no relatório não indica desequilíbrio fiscal nem o comprometimento da saúde financeira do Estado.”
Grupo dos estados no vermelho
Além do Tocantins, aparecem na lista Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Alagoas, Rio Grande do Sul, Acre e o Distrito Federal. Em alguns casos, os déficits são bilionários, como o de Minas Gerais, que lidera o ranking negativo.
O dado é especialmente sensível por se tratar de último ano de mandato dos governadores. A Lei de Responsabilidade Fiscal impõe restrições severas a gestores públicos que assumem despesas sem cobertura financeira, justamente para evitar que dívidas sejam transferidas para a administração seguinte.
Pressão sobre investimentos e despesas
Na prática, começar o ano no vermelho significa que o governo terá de atuar com forte controle de gastos, priorizando despesas obrigatórias e podendo adiar investimentos ou projetos que dependam de caixa imediato.
Embora o orçamento total do Estado continue sendo executado normalmente — especialmente nas áreas com recursos vinculados — a falta de dinheiro livre reduz a capacidade de reação diante de imprevistos ou novas demandas.
O contraste nacional chama atenção: enquanto o Tocantins inicia 2026 pressionado, o Paraná encerrou o período com o maior saldo positivo do país, superando R$ 10 bilhões em caixa disponível.
Ano decisivo
O cenário fiscal coloca o Tocantins diante de um ano decisivo. Em meio a restrições legais e pressão por serviços públicos, o governo terá de equilibrar responsabilidade fiscal e demandas sociais, sob o escrutínio político típico de ano eleitoral.
Com caixa negativo já na largada, 2026 começa para o Estado não como um ano de expansão, mas de ajuste — e cada decisão orçamentária tende a pesar ainda mais no debate público.




