

A pré-campanha nas regiões sul e sudeste do Tocantins ganhou um novo desenho político com a aproximação entre o deputado estadual Eduardo Fortes e a secretária de Saúde de Gurupi e pré-candidata a deputada federal Luana Nunes (PL). A aliança, que envolve lideranças ligadas à prefeita Josi Nunes (UB) e ao grupo do empresário Oswaldo Stival Júnior, busca consolidar uma dobradinha regional com o argumento de fortalecer a representatividade no Legislativo estadual e no Congresso Nacional, em um cenário marcado pela disputa por espaço e pela presença de candidaturas sem base histórica no território.
Por Wesley Silas
A parceria entre o deputado estadual Eduardo Fortes e a secretária de Saúde de Gurupi e pré-candidata a deputada federal Luana Nunes (PL) formaliza uma articulação que, segundo aliados, pretende dar mais peso político às regiões sul e sudeste do Tocantins. A construção reúne lideranças que até recentemente estiveram em campos distintos na política local, incluindo o grupo da prefeita Josi Nunes (UB), e amplia o alcance com o apoio do grupo ligado ao empresário Oswaldo Stival Júnior.
Nos bastidores, a estratégia tem um objetivo claro: somar capilaridade eleitoral com atuação regional. A leitura dos envolvidos é que a presença de um nome com mandato na Assembleia e outro com projeto competitivo para Brasília aumenta a capacidade de articulação do território, sobretudo em pautas que dependem de interlocução com o governo estadual e o governo federal.

Para Eduardo Fortes, a dobradinha cria uma rede de mobilização em torno de um projeto conjunto. “Fechamos uma parceria em Gurupi e na região sul do Tocantins. Eu vou apoiá-la como pré-candidata a deputada federal e ela vai nos apoiar para deputado estadual. A parceria foi construída com a Luana, com a prefeita Josi Nunes, com o senhor Oswaldo Stival e com o nosso grupo, que tem o Aelton e o João Victor, para iniciar um trabalho e fortalecer as regiões sul e sudeste na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal”, afirmou o parlamentar.
Já Luana Nunes sustenta que a articulação busca enfrentar um problema recorrente em períodos eleitorais: a fragmentação do voto regional e o avanço de candidaturas com pouca presença no dia a dia das cidades. Na avaliação do grupo, o eleitor tende a perder influência quando troca nomes com histórico de atuação local por projetos sem raízes no território, o que pode reduzir a capacidade de cobrança e de priorização das demandas regionais no mandato.
Para Luana, o argumento central da dobradinha é a necessidade de manter representantes conectados às demandas de Gurupi e demais municípios das regiões sul e sudeste. O discurso também enfatiza a importância de recursos obtidos via emendas parlamentares, frequentemente citadas por gestores como um dos instrumentos que ajudam a viabilizar ações e investimentos nos municípios, especialmente em áreas sensíveis como a saúde.
A aproximação entre os dois grupos, segundo interlocutores, também sinaliza um movimento de acomodação política com foco em 2026: unir forças para reduzir a dispersão do voto regional, evitar concorrência direta no mesmo eleitorado e sustentar uma pauta comum para Gurupi e municípios do entorno.
O desenho defendido pelos aliados é simples: Eduardo Fortes tentaria consolidar a presença do sul e sudeste na Assembleia Legislativa, onde temas estaduais ganham forma por meio de emendas, articulação com secretarias e acompanhamento de políticas públicas; Luana Nunes, por sua vez, buscaria espaço na Câmara dos Deputados, em Brasília, onde se concentram decisões sobre orçamento federal, programas nacionais e regras que impactam diretamente os municípios.
A dobradinha, no entanto, carrega um desafio que costuma acompanhar alianças desse tipo: transformar discurso em método. Para funcionar, precisa de agenda territorial definida, divisão clara de prioridades e compromisso de prestação de contas. Sem isso, a parceria corre o risco de se limitar à foto de ocasião e à soma de palanques, sem gerar resultados concretos para a população.
“Luana Nunes e Eduardo Fortes possuem os mesmos objetivos. O foco da nossa parceria é o bem de Gurupi e das regiões sul e sudeste, garantindo representantes na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional. Praticamente tudo o que a gestão municipal executa, especialmente na saúde, depende de emendas parlamentares, e não podemos ficar sem representantes que garantam esses recursos. É preciso refletir sobre nomes que aparecem apenas em ano eleitoral e depois somem. Esta aproximação reflete a maturidade de caminharmos juntos em prol da nossa região”, afirmou Luana Nunes.
Nos bastidores, a aposta é que o histórico de atuação e a presença contínua no território se tornem diferenciais em um ambiente eleitoral marcado pela chegada de candidaturas de última hora. A leitura é que candidatos sem base local tendem a aparecer apenas no período de campanha, capturam parte do voto regional e, depois, deslocam foco para as áreas onde mantêm compromisso político mais sólido. Esse padrão, segundo analistas e lideranças locais ouvidas pela reportagem, enfraquece a capacidade de cobrança dos municípios e dilui a força regional na disputa por recursos e projetos.
Recolocar o sul e sudeste do Tocantins no centro das articulações políticas
A aliança entre Eduardo Fortes e Luana Nunes pode representar um passo importante para recolocar o sul e sudeste do Tocantins no centro das articulações políticas, desde que a dobradinha seja tratada como instrumento de representação, e não como atalho eleitoral. Para o eleitor, o critério decisivo não deve ser a retórica, mas a coerência entre histórico, presença e entregas, além de compromissos verificáveis: quais prioridades serão defendidas, como serão acompanhadas e como a população terá acesso a prestação de contas ao longo do mandato. Em ano pré-eleitoral, a região não ganha com promessas amplas; ganha com projetos mensuráveis, articulação permanente e responsabilidade pública.
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