
Milhares de agricultores reuniram-se neste sábado (10) em Athlone, no centro da Irlanda, para protestar contra o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul. O tratado foi aprovado pelo Conselho Europeu nesta sexta-feira (9), apesar da rejeição de um grupo de países do bloco.”Não ao UE-Mercosul” e “Apoiem a agricultura irlandesa” eram algumas das mensagens exibidas em cartazes fixados nos tratores que convergiram para a pequena cidade, localizada entre Dublin e Galway. O governo irlandês recusou o acordo, que gerou forte oposição por parte dos agricultores também na França, Hungria, Polônia e Áustria.Nestes países, a categoria teme uma entrada em massa de produtos latino-americanos mais baratos, que possam não cumprir as mesmas normas ambientais aplicadas na UE.Na Irlanda, os agricultores estão particularmente preocupados com a concorrência das importações de carne bovina, a preços mais baixos. O vice-primeiro-ministro irlandês, Simon Harris, afirmou que o governo “continuará a expressar suas preocupações”.A principal entidade do setor no país, a Associação Irlandesa de Agricultores (IFA), considerou a aprovação europeia “muito decepcionante” e pediu que os membros do Parlamento rejeitem o texto.Votação no ParlamentoNa sexta-feira, os agricultores também realizaram manifestações e protestos na Polônia, França e Bélgica. O Parlamento Europeu ainda não votou o acordo, que está em negociação há mais de 25 anos.O tratado cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, abrangendo mais de 720 milhões de consumidores. Para seus defensores, como a Alemanha e a Espanha, a medida revitalizará a economia europeia, em dificuldades, ao eliminar a maioria das tarifas de comércio entre os dois blocos.O tratado impulsiona as exportações europeias de carros, máquinas e outros bens industriais, além de produtos alimentares como vinho, queijo e azeites. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve ir ao Paraguai na próxima semana para assinar o acordo com o Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.Continua após a publicidadePacote de medidas na FrançaHoras depois da aprovação do acordo comercial pelo Conselho Europeu, o governo francês anunciou um pacote de medidas para apaziguar o setor agrícola do país. Os maiores beneficiados serão os pecuaristas, atingidos atualmente por uma epidemia de dermatose bovina. A gestão da crise sanitária amplificou o movimento de protesto de agricultores.A ministra francesa da pasta, Annie Genevard, anunciou € 300 milhões de apoio ao setor, incluindo a duplicação do fundo de compensação para dermatose bovina e outras medidas adotadas nas últimas semanas, relativas a fertilizantes e auxílio para os vinhedos.Genevard também respondeu a uma solicitação recorrente da mais poderosa aliança sindical agrícola, FNSEA (Federação Nacional de Sindicatos de Agricultores), e da Associação dos Jovens Agricultores, anunciando a assinatura dos decretos de implementação da chamada Lei Duplomb, que visa facilitar a construção de instalações para o gado.Leia tambémAcordo UE-Mercosul: bode expiatório de uma agricultura francesa em crise prolongadaA ministra reiterou o compromisso do governo com os viticultores e produtores de cereais, em particular quanto aos avanços alcançados em Bruxelas sobre o uso de fertilizantes e à manutenção do orçamento para a futura Política Agrícola Comum do bloco.Continua após a publicidadeNovas eleições?Ameaçado por duas moções de censura apresentadas pela oposição de esquerda radical e extrema direita, o governo francês levantou a possibilidade de uma nova dissolução do Parlamento, caso um dos textos seja aprovado. Um refere-se ao controverso orçamento do governo para 2026, ainda em suspenso, e o segundo é sobre a aprovação do acordo UE-Mercosul.O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, solicitou ao ministro do Interior, Laurent Nuñez, preparar a organização de possíveis eleições legislativas que coincidiriam com as próximas eleições municipais no país, previstas para 15 e 22 de março. Uma fonte do governo indicou à agência AFP que o premiê e o presidente, Emmanuel Macron, estão de acordo sobre esse ponto.As duas moções de censura serão analisadas pela Assembleia Nacional entre a próxima terça (13) e quarta-feira (14). Nas redes sociais, Sébastien Lecornu criticou a atuação dos partidos Reunião Nacional e França Insubmissa, salientando que a França votou “contra” o acordo comercial da União Europeia com os países do Mercosul.Com informações da AFP




