

Pesquisa da Nexus mostra que 48% dos moradores da região nunca ouviram falar da medida. Especialistas destacam que a discussão não envolve apenas trabalhar menos, mas produzir melhor, em comparação com países mais produtivos.
Por Wesley Silas
Um levantamento da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados – revela que o Centro-Oeste é a região brasileira com menor conhecimento sobre a proposta que prevê o fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias e folga um. Segundo a pesquisa, 48% dos entrevistados nunca ouviram falar da mudança, que reacende debates sobre qualidade de vida, custos trabalhistas e a diferença de produtividade entre o Brasil e as principais economias do mundo.
Resumo em tópicos
- 48% dos moradores do Centro-Oeste desconhecem a proposta — maior índice do país.
- Apenas 5% entendem profundamente o tema; média nacional é de 12%.
- 52% apoiam o fim da escala 6×1, abaixo da média nacional (63%).
- 60% dos favoráveis deixariam de apoiar se houvesse redução salarial proporcional.
- Debate envolve qualidade de vida, mas também produtividade por hora trabalhada.
- Países como EUA, França, Alemanha e Japão trabalham menos horas e produzem mais por hora.
O que é, na prática, o fim da escala 6×1 (explicação didática ao leitor)
A escala 6×1 é um formato de jornada comum no comércio e em serviços contínuos:
- o trabalhador atua seis dias seguidos;
- tem apenas um dia de folga na semana.
A proposta em debate no país busca substituir esse modelo por um regime com duas folgas semanais, similar ao padrão 5×2.
O objetivo é reduzir a carga semanal, melhorar a qualidade de vida e diminuir a exaustão física e mental.
A dúvida central é: como ficam salários, custos e produtividade caso a jornada seja reduzida?

A pesquisa da Nexus aponta que o Centro-Oeste é a região brasileira com menor familiaridade sobre o fim da escala 6×1. De acordo com o levantamento, 48% dos entrevistados declararam nunca ter ouvido falar do tema. No Brasil, esse percentual é de 35%. Apenas 5% dos moradores da região dizem compreender bem a discussão, índice inferior à média nacional (12%). Outros 44% afirmam conhecer o assunto superficialmente.
Para Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, esse desconhecimento surpreende por ocorrer numa região com forte influência política e econômica. Ele destaca que, enquanto o debate avança no país, o Centro-Oeste mantém “o menor grau de familiaridade entre as regiões”.
O levantamento mostra que outras regiões têm índices mais elevados de conhecimento:
- Sudeste: 71% dizem conhecer a proposta;
- Norte: 64%;
- Sul: 64%;
- Nordeste: 53%.
Outro ponto que destaca o comportamento do Centro-Oeste é o percentual de entrevistados sem opinião formada: 12%, o dobro da média do país (6%).
Mesmo com menos informação, 52% dos moradores da região apoiam o fim da escala 6×1 — abaixo da média nacional (63%). Porém, esse apoio é sensível: entre os favoráveis, 60% deixariam de apoiar se a mudança implicasse redução proporcional de salário, acima da média nacional (48%).
Quando se analisa os possíveis efeitos da medida, o Centro-Oeste volta a ficar abaixo da média nacional:
- Qualidade de vida: 49% acreditam que haveria melhora (no Brasil, 67%);
- Desenvolvimento econômico: 30% veem impacto positivo (no país, 39%);
- Lucratividade das empresas: 35% acreditam que não mudaria (no Brasil, 28%).
Produzir melhor: por que o fim da escala 6×1 envolve produtividade
O debate não se limita ao número de dias trabalhados. Ele toca em um ponto-chave da economia: produtividade por hora.
A comparação internacional ajuda a entender o desafio:

Essas economias contam com fatores que reforçam a produtividade:
mais tecnologia, mais capital por trabalhador, melhor qualificação, gestão eficiente, infraestrutura sólida e ambiente de negócios mais simples.

No Brasil, a jornada maior não compensa a menor eficiência. Por isso, especialistas afirmam que reduzir horas sem aumentar produtividade pode elevar custos por unidade produzida, pressionar preços em alguns setores e criar necessidade de mais contratações.
O fim da escala 6×1 tem apoio relevante no país, mas ainda encontra desinformação, principalmente no Centro-Oeste. O debate, porém, vai além de folga e descanso: envolve produtividade, competitividade e a capacidade de o Brasil produzir mais com as horas já trabalhadas.
Para que uma eventual mudança traga benefícios reais, especialistas destacam a necessidade de avançar em gestão, tecnologia, qualificação e eficiência, aproximando o país das práticas que permitem a outras economias trabalhar menos horas — e produzir mais.



