
O governo de Donald Trump intensificou sua ofensiva contra o Consumer Financial Protection Bureau (CFPB), agência de proteção financeira ao consumidor dos Estados Unidos, afirmando que o órgão teria imposto centenas de bilhões de dólares em custos extras de crédito à população. Relatório do Council of Economic Advisers (CEA), ligado à Casa Branca e obtido pelo Financial Times, concluiu que o peso regulatório do CFPB elevou preços e reduziu a oferta de produtos financeiros, gerando impacto estimado entre US$ 237 bilhões e US$ 369 bilhões aos consumidores. “O CFPB foi mobilizado para avançar uma agenda radical que produz exatamente o oposto do que seus defensores afirmam”, disse o diretor interino do órgão, Russell Vought. Segundo ele, a atuação da agência teria restringido o acesso ao crédito e tornado a vida mais cara para os americanos. Vought já declarou que pretende “fechar” o CFPB, criado após a crise financeira de 2008 para proteger consumidores. As conclusões do relatório se somam a estimativas anteriores, contestadas, de críticos e apoiadores da agência. O documento surge após meses de tentativas do governo de esvaziar o CFPB, barradas por decisões judiciais que determinaram a continuidade das operações enquanto processos seguem em andamento. Também ocorre após relatório divulgado neste mês pela senadora Elizabeth Warren, considerada a idealizadora do CFPB, e por outros democratas do comitê bancário do Senado. O texto afirma que as tentativas da Casa Branca de enfraquecer o órgão custaram até US$ 19 bilhões aos consumidores ao permitir fraudes por grandes bancos e empresas. “Trump pode tentar dizer que impedir bancos de tirar dinheiro dos consumidores é algo ruim, mas quem conhece os fatos sabe que o CFPB devolveu dezenas de bilhões diretamente aos americanos”, afirmou Warren.Dados da própria agência indicam que, desde 2011, o CFPB devolveu quase US$ 20 bilhões aos consumidores e aplicou cerca de US$ 5 bilhões em multas. O órgão também recebeu ao menos meio milhão de reclamações contra empresas financeiras no último ano. Críticos da agência —entre republicanos no Congresso, juristas conservadores e entidades do seto — argumentam que o CFPB impôs regras excessivas às instituições financeiras e restringiu a oferta de crédito. O relatório da Casa Branca tenta sustentar essa tese ao comparar custos de empréstimos sujeitos à regulação do CFPB com aqueles fora de sua alçada. Bancos pequenos e cooperativas com até US$ 10 bilhões em ativos não estão submetidos às normas do órgão. Segundo o documento, tomadores de crédito regulados pagaram, em média, 4,3% a mais em juros (cerca de 16 pontos-base) do que aqueles fora do alcance do CFPB. Em três modalidades —hipotecas, financiamentos de veículos e cartões de crédito— a agência teria elevado os custos totais de empréstimos ao consumidor entre US$ 222 bilhões e US$ 350 bilhões de 2011 a 2024. A atuação do CFPB foi praticamente paralisada pelo governo Trump, que colocou funcionários em licença e cancelou dezenas de ações de fiscalização, incluindo um processo contra uma empresa ligada a Donald Trump Jr.




