
“Fomos enganados, fomos transformados em massa de manobra”, dizem os ex-ocupantes do assentamento Chaparral II, município de Bandeirantes, norte do Estado. Em setembro de 2023, 61 famílias que ocupavam a fazenda agropecuária Chaparral- o Chaparral II, deixaram o local após negociação intermediada pela Comissão de Conflitos Fundiários do Tribunal de Justiça do Tocantins, o governo do Estado, por meio do Itertins Instituto de Terras do Tocantins e advogado dos assentados. O processo de desocupação da área se arrastou na justiça por cerca de 17 anos até julgamento final, o que forçou as mais de 60 famílias a deixarem o local. As famílias retiradas do Chaparral afirmam que, na época da negociação, teriam sido “iludidas” ou “enganadas” e que nada do que teria sido combinado foi cumprido até agora, especialmente por parte do Governo. Em setembro de 2023 foi realizada a última reunião no Chaparral II com os assentados e advogado, representantes do Tribunal de Justiça e do Governo do Tocantins. De acordo com a Ata da reunião, o representante da agropecuária Chaparral se comprometeu a pagar 6 meses de ajuda aos assentados com R$ 500,00 mensais, aquisição de animais, indenização de 4 imóveis de alvenaria, no valor de R$ 10.000,00 cada, além de ajuda para mudanças. As famílias dizem que que este acordo foi cumprido, mas que outros compromissos ainda nem saíram do papel. Ainda, na reunião, para a saída dos assentados da área ocupada, teria sido dada a possibilidade para as famílias serem incluídas na categoria de vulneráveis. Além disso, o Itertins faria cadastro das famílias para serem assentadas em uma área que seria definida posteriormente pelo Governo do Estado. Com isso, os assentados ganharam a confiança de que seriam colocados em outra área de terra, mas, passados três anos, reina o silêncio, ninguém diz nada, ninguém sabe de nada. “Eles dizem que o Estado não tem terra para dar para ninguém”, diz ex-assentado. O suposto abandono e silêncio das autoridades vêm causando revolta às famílias. “Na hora de prometer tudo, todo mundo aparece com cara de bonzinho. Mas estamos abandonados, fomos enganados, nada do que foi prometido foi cumprido até agora. A gente não consegue falar nem com a advogada da Associação das famílias. Parece que até ela sumiu do mapa. O espaço segue aberto para questionamento dos envolvidos.




